DOR E REDENÇÃO
Por Silvia G. Martins*



A dor, seja ela física ou da alma, é uma ferramenta utilizada pela Lei de Progresso e funciona como uma campainha que nos alerta quanto à nossa conduta, presente ou passada. É um convite à reflexão e mudança de rumo.

Quantos homens encontraram a ruína financeira por agirem com imprevidência e ambição desmedida?

Quantas uniões são frustradas por resultarem de jogos de interesses ou paixões insanas?

Quantas doenças são causadas pelas mais diversas formas de excessos?

Mas o que dizer dos reveses da fortuna sem explicação? Das enfermidades de nascença? Das deformidades, etc?

Todo efeito tem uma causa e, se Deus é justo, essa causa assim também é. Então, não havendo explicação na vida presente, há de ter numa existência anterior, mas são sempre causadas por nós mesmos.

De acordo com o capítulo V de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’, “Jamais o homem deve olvidar que se acha num mundo inferior, ao qual somente as suas imperfeições o conservam preso. A cada vicissitude, cumpre-lhe lembrar-se de que, se pertencesse a um mundo mais adiantado, isso não se daria e que só de si depende não voltar a este, trabalhando por se melhorar”.

Jesus disse: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados”. Esse consolo está na compensação que hão de ter os que sofrem, pois esse é o pagamento de uma dívida anterior. As dores suportadas pacientemente na Terra nos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Mas, não devemos entender que basta sofrer para repararmos os erros cometidos. Somente as provas bem suportadas podem conduzir-nos ao reino de Deus. Deus disse que não coloca fardos pesados em ombros fracos e devemos ter fé em Sua bondade. Assim sendo, o desânimo é uma falta.

Quando estivermos passando por um sofrimento ou contrariedade, sejamos superiores, dominemos os ímpetos da ansiedade, da raiva ou do desespero.

A calma e a resignação que adquirimos quando mudamos a maneira de considerar a vida terrestre e confiamos no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio.

Segundo Lacordaire, em Instruções dos Espíritos de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’, “Bem-aventurados os aflitos pode então traduzir-se assim: Bem-aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão centuplicada a alegria que lhes falta na Terra, porque depois do labor virá o repouso”.

Os espíritos nos ensinam que existem muitas maneiras de aprender, mas somos nós que insistimos em acreditar que só se aprende através da dor.

Em ‘O Livro dos Espíritos’ está escrito: “Fazer maior bem do que o mal que se tenha feito, essa é a melhor expiação”. E Joanna de Angelis ainda explica que “A soma das experiências e ações positivas anula aquelas que lhe constituem débitos propiciador de sofrimento”.

Segundo Hammed, “Ninguém nos condena, nós é que cremos no castigo e nos punimos. Provocando padecimentos com os nossos gestos mentais”.

Então, por que continuar vendo na dor e no sofrimento os únicos caminhos de redenção?

Temos vários caminhos, o da dor, somos nós mesmos que teimamos em escolher.



(* Silvia G. Martins é médium e colaboradora da “Casa do Caminho”)




Referências Bibliográficas:

“O Evangelho Segundo o Espiritismo” - Allan Kardec
“O Livro dos Espíritos” - Allan Kardec
“Autodescobrimento - uma busca interior” - Divaldo Pereira Franco (pelo espírito Joanna de Angelis)
“As dores da Alma” - Francisco do Espírito Santo Neto (pelo espírito Hammed)


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